Imposto Seletivo sobre os carros em 2027: o que já se sabe até agora
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O Imposto Seletivo sobre os carros será uma das principais mudanças tributárias para o setor automotivo a partir de 2027. O novo tributo faz parte da reforma do consumo e terá critérios ambientais e tecnológicos para diferenciar a cobrança entre veículos.
A indefinição ganhou peso nos últimos meses. Como o prazo necessário para uma cobrança logo em 1º de janeiro já passou, o novo tributo não deve começar a ser exigido imediatamente na virada do ano.
Neste artigo, você vai entender o que já está decidido, o que ainda falta resolver e como a mudança pode chegar ao bolso de quem pretende comprar um carro.
O que é o Imposto Seletivo?
O Imposto Seletivo, também chamado de IS, foi criado pela reforma tributária para incidir sobre determinados bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
Entre os produtos abrangidos estão veículos, bebidas alcoólicas, produtos derivados do tabaco e alguns bens minerais, além de outras categorias previstas na legislação.
No caso dos automóveis, a Lei Complementar n° 214/2025 determina incidência única. Em regra, a tributação ocorre no primeiro fornecimento do veículo. Nos modelos trazidos de outros países também existe incidência na importação.
Por isso, a revenda comum de um carro usado não provoca uma nova cobrança do IS. Ainda assim, mudanças na tributação dos veículos novos podem influenciar indiretamente os preços do mercado de seminovos e usados.
Imposto Seletivo começa em janeiro de 2027?
De acordo com o cenário atual, não.
Para que a cobrança pudesse começar em 1° de janeiro, a norma responsável por definir as alíquotas deveria respeitar a chamada noventena, que impede a cobrança de determinados tributos antes de 90 dias da publicação da regra.
Esse prazo terminou no início de outubro sem a definição das alíquotas.
Com isso, o Imposto Seletivo continua previsto para 2027, mas a data efetiva do início dependerá da publicação das novas regras e do cumprimento do prazo constitucional.
Quantos os carros vão pagar?
Essa continua sendo a principal dúvida. A Lei Complementar n° 214 definiu que as alíquotas dos veículos serão estabelecidas posteriormente.
A legislação, porém, já apresenta alguns critérios que deverão ser considerados na graduação do imposto. Entre eles estão:
- Potência
- Eficiência energética
- Segurança e tecnologias de assistência à direção
- Reciclabilidade
- Pegada de carbono
- Densidade tecnológica
- Emissão de CO2 no ciclo do poço à roda
- Etapas de fabricação realizadas no Brasil
- Categoria do veículo
Isso significa que dois carros de preço semelhante poderão receber tributação diferente de acordo com as suas características.
O peso de cada fator ainda precisa ser detalhado. Portanto, não há base suficiente para calcular quanto um modelo específico pagará de Imposto Seletivo em 2027.
O IPI Verde pode servir como referência?
Essa é uma das possibilidades discutidas nessa transição.
Desde 2026, o IPI verde utiliza características dos veículos para determinar a tributação. Entre elas estão propulsão, eficiência energética, potência, segurança e reciclabilidade.
No entanto, isso não significa que as atuais tributações de IPI serão simplesmente transferidas para o IS. A nova tributação possui regras próprias, e a definição final dependerá da legislação que estabelecer os percentuais e a forma de enquadramento dos automóveis.
Esse detalhe é relevante porque a quantidade de combinações possíveis entre tecnologia, eficiência, potência e outras características torna o sistema bastante complexo para fabricantes e consumidores.
Veículos eletrificados serão isentos?
Não existe uma isenção geral do Imposto Seletivo já garantida para carros elétricos ou híbridos.
Esses veículos aparecem entre as categorias que podem ser alcançadas pela tributação. Ao mesmo tempo, fatores como eficiência energética, pegada de carbono e emissões fazem parte dos critérios previstos para determinar as alíquotas.
Também não se deve confundir o Imposto Seletivo com os benefícios atualmente concedidos pelo IPI a determinados veículos sustentáveis. As regras atuais de incentivo têm prazo próprio e não são automaticamente transferidas para o novo tributo.
O novo imposto vai deixar os carros mais caro?
Também não há como afirmar que todos os veículos subirão de preço. Alguns modelos poderão receber uma carga maior, enquanto outros podem ser favorecidos pela forma como serão classificados.
O impacto no preço ao consumidor ainda dependerá de outro fator: quanto da diferença tributária será absorvida pelas fabricantes e quanto será repassado para as tabelas.
Até que as alíquotas sejam publicadas, qualquer estimativa de aumento de preço deve ser tratada como projeção e não como valor confirmado.
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E os carros usados?
Quem compra um automóvel usado de outro proprietário não terá uma nova cobrança do Imposto Seletivo apenas por causa da transferência.
Por outro lado, mudanças nos preços dos carros novos costumam refletir no mercado de usados. Caso determinados modelos 0 km tenham sua carga tributária alterada, os valores de seminovos equivalentes também podem reagir.
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Conclusão
O Imposto Seletivo está previsto na reforma tributária e os veículos fazem parte dos produtos alcançados pelo novo sistema. Também já se sabe que aspectos ambientais, tecnológicos e de desempenho serão usados para diferenciar a cobrança.
A grande dúvida continua sendo quanto cada modelo pagará e quando exatamente o imposto começará a ser cobrado. Com as alíquotas ainda indefinidas em outubro de 2026, o início em 1º de janeiro deixou de ser viável pelo calendário atual.


